Esta é a parte que costuma ser omitida nos textos publicitários, e é a que mais importa para quem está decidindo.
Revisões sistemáticas que compararam a cirurgia assistida por laser de femtossegundo com a facoemulsificação convencional — incluindo uma revisão Cochrane — não demonstraram superioridade do laser no resultado visual final. Também não se estabeleceu vantagem consistente em taxas de complicação, e a certeza da evidência é considerada baixa a moderada em vários desfechos.
O que os estudos observam é outra coisa: o laser tende a tornar certas medidas intermediárias mais reprodutíveis — a abertura da cápsula mais regular, menos energia de ultrassom usada. São dados técnicos reais, mas que, até aqui, não se traduziram em uma visão melhor ao fim do tratamento.
Isso não significa que o laser seja ruim, nem que a técnica manual seja antiquada. Significa que as duas são consideradas seguras e eficazes, e que a escolha entre elas não deve ser vendida como escolha entre o moderno e o ultrapassado. A cirurgia de catarata convencional é um dos procedimentos com melhores resultados de toda a medicina.