A tomografia corneana fotografa a córnea em vários cortes, enquanto a câmera gira em torno do olho, e reconstrói tudo num modelo tridimensional. Dali saem quatro informações que nenhum outro exame reúne de uma vez:
- a curvatura da face anterior, a superfície externa da córnea;
- a curvatura da face posterior, a superfície interna, que nenhum topógrafo enxerga;
- a espessura em todo o mapa, e não só no centro — o mapa paquimétrico;
- a câmara anterior: profundidade, volume e ângulo, o espaço entre a córnea e a íris.
Por que a face posterior muda tudo
No ceratocone, a córnea afina e se abaula de forma progressiva. A alteração costuma começar pela face posterior e pelo mapa de espessura, antes de aparecer na superfície. Um exame que só lê a frente pode, nessa fase, sair normal — daí a tomografia ser a referência no rastreio.
O mesmo vale no planejamento cirúrgico: antes de uma cirurgia refrativa a laser, o exame mostra se a córnea tem espessura e regularidade suficientes; antes de uma cirurgia intraocular, dá a medida da câmara anterior. Ele ainda permite graduar a opacidade do cristalino.